Célio

DIA DA ARTILHARIA 10 de Junho

Eu sou a poderosa Artilharia
Que na luta se impõe pela metralha,
A missão das outras armas auxilia
E prepara o campo de batalha

Em função de suas diversas capacidades de emprego, a Artilharia é o principal meio de apoio de fogo, desempenhando um papel fundamental no combate, destruindo ou neutralizando os alvos que ameacem o êxito das operações militares. Em sua gênese, os projéteis eram arremessados de forma mecânica. Com o decorrer dos séculos, a Artilharia passou por contínua evolução técnica, científica e humana, sendo, atualmente, uma arma de extrema agressividade, velocidade de reação e precisão. No Brasil, suas origens provém de Corpos de Artilharia a Cavalo, no século XIX, época em que Canhões Krupp 75mm eram rebocados por tração animal. O artilheiro, então, deveria dominar, além das técnicas de tiro, habilidades de equitação, encilhamento e atrelagem da peça de artilharia ao reboque animal. Na história da Artilharia brasileira, destaca-se o Marechal Emílio Luís Mallet, o Barão de Itapevi. Nascido em 10 de junho de 1801, na cidade de Dunquerque, na França, desembarcou com sua família no porto do Rio de Janeiro, aos 17 anos de idade. Em 1822, aos 21 anos, atendendo ao convite do Imperador Dom Pedro I, alistou-se nas fileiras do Exército Nacional. Assentou praça como 1º cadete na Brigada de Artilharia a Cavalo da Corte, como distinção por sua ascendência nobre. Não demorou a receber o seu batismo de fogo, ocorrido na Batalha do Passo do Rosário, em 20 de fevereiro de 1827. Destacou-se nas diversas campanhas militares de consolidação da fronteira sul, especialmente na 1ª Batalha de Tuiuti, em 1866, quando sua energia, discernimento e inequívocas qualidades de artilheiro fizeram-se presentes, comandando o lendário 1º Regimento de Artilharia a Cavalo. Em 1885, foi promovido a Marechal de Exército, após 63 anos de relevantes serviços ao Brasil. Sua última promoção coroou as qualidades de militar honrado, vigoroso, reto, ordeiro e de impoluto caráter. Em 2 de janeiro de 1886, faleceu, com quase 85 anos, encerrando a trajetória de oficial de grande destaque na Campanha da Tríplice Aliança. Devido a isso, recebeu a honra de se tornar o maior símbolo de inspiração para todos os artilheiros: o Patrono da Artilharia Brasileira. Em meados do século XX, com a entrada da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a utilizar os Obuseiros M101, de calibre 105mm e M114, de 155mm, que apresentavam a novidade do tracionamento motorizado, do emprego de trajetórias verticais e mergulhantes e de calibres maiores. Finda a guerra, a Artilharia atravessou um processo de contínua modernização, incorporando os materiais autopropulsados, como os obuseiros M108AP, de105mm e, já na década de 1990, os M109AP, de 155mm. Nesse contexto, o artilheiro precisou adequar-se às táticas de emprego de blindados, o que proporcionou à arma maior mobilidade e volume de fogo e, ao militar, mais versatilidade. Seu adestramento acompanhou a modernização tecnológica, tornando o conhecimento técnico do material bastante especializado. Nos dias atuais, acompanhando a evolução dos cenários nos campos de batalha modernos, a Artilharia continua a apoiar e proteger os elementos de manobra. O apoio terrestre é provido pela Artilharia de Campanha. Tanto nas operações ofensivas, quanto nas defensivas, a Artilharia proporciona volume e potência de fogo, nos momentos e locais necessários e decisivos, e aumento do poder de combate, sendo um importante meio para o comandante intervir nas manobras. Para fazer frente a ameaça dos sistemas aéreos inimigos, a Artilharia Antiaérea cumpre a missão de proteção, impedindo ou dificultando reconhecimentos ou ataques hostis. O emprego dos materiais antiaéreos está preconizado não só no combate convencional, como também em conflitos não convencionais. Na atual conjuntura, a Artilharia Antiaérea também é utilizada para garantir a defesa de pontos e áreas sensíveis, de infraestrutura estratégica e de eventos de alta visibilidade, em situações de não guerra. Atualmente, a Artilharia de Campanha está recebendo os obuseiros M109A5+Br, de 155mm, que possui um alcance de até 30 km e possui tecnologia embarcada de última geração. Já a Artilharia Antiaérea, conta com equipamentos modernos como o GEPARD, o Canhão Oerlikon, os Mísseis IGLA e RBS 70. Além dos materiais de combate, a Artilharia possui equipamentos de alta tecnologia para o cálculo de tiro, com o Sistema GÊNESIS, e para levantamentos topográficos com o israelense AGLS (Automatic Gun Laying System). Conta, ainda, com drones, como os Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP), e radares que apoiam as manobras na busca de alvos que possam comprometer o êxito das operações. Na permanente busca pela evolução da Artilharia, foi criado o Programa Estratégico ASTROS 2020, que tem por finalidade dotar a Força Terrestre de meios capazes de prestar um apoio de fogo de longo alcance, com elevada precisão e letalidade. Em seu escopo o programa contempla projetos de pesquisa e desenvolvimento, de aquisição e de modernização de viaturas do Sistema ASTROS e de construções de instalações de organizações militares. Prevê, ainda, o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC) de 300 km e do Foguete Guiado SS-40G, ampliando a capacidade de emprego estratégico e dissuasório. Assim, desde tempos antigos, a Artilharia vem cumprindo a sua missão de apoio a manobra, demonstrando seu poder de fogo, agressividade, rapidez e precisão, o que lhe confere o título de um meio letal e destrutivo do campo de batalha, características que são mantidas, ao longo da história, por meio da modernização de seu material, doutrina e pessoal, alinhando-se ao processo de transformação do Exército Brasileiro.

fontes: http://www.eb.mil.br

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